Mostrando postagens com marcador A PORTA e Cia Troada. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A PORTA e Cia Troada. Mostrar todas as postagens

21.8.10

O significado de ser Troada

Por ser vida, talvez o teatro nos ajude a senti-la melhor. Senti-la, mais do que compreendê-la. Para além de toda a técnica, somos poetas e usamos da máscara para nos desmascararmos. Nosso palco procura ser o lugar de onde se vê o homem e podemos perceber que sim, nós temos par nisto tudo que é mundo. No atrito que é estar vivo, o som forte gerado é troada, como bombardas disparadas, barulho forte de tambores, som de muitos tiros. Troada é o trovão mais forte que se ouve.

17.11.09

Sinopse

É madrugada. Mais uma noite de insônia. A terceira em seguida. Porém, sozinho em seu quarto, Gregor K. já não sabe se está acordado. Sente que dorme, por assim dizer, fora de si, enquanto ele mesmo está trancado com seus sonhos. Dentre eles uma dupla de oficiais que lhe traz uma intimação. As obrigações a cumprir: encontrar a chave, sair de si mesmo e voltar a dormir. A porta de seu quarto se transformou em uma passagem. É por ela que Gregor K. poderá voltar à realidade.

O espetáculo é livremente inspirado na obra do escritor Franz Kafka enfatizando os aspectos oníricos de sua criação. Para isto, a Cia. Troada realiza uma investigação de máscaras inteiras que são o exagero caricatural da figura humana. Esta composição se aproxima da linguagem dos quadrinhos destacando os aspectos cômicos e imagéticos da cena para a construção de um universo surrealista e de humor “nonsense”.

Sobre a Máscara



 O trabalho se orienta pela linguagem da máscara, um conjunto de proposições que envolvem uma maneira própria de representação calcada na construção de figuras e no jogo cênico. Todos os integrantes do espetáculo utilizam máscaras inteiras com traços caricaturescos. Estas máscaras se aproximam do teatro de bonecos, o que possibilita uma grande exploração da visualidade da cena pretendida pela encenação. As máscaras do espetáculo A Porta são inspiradas na estética da Cia Familie Flöz, importante referência do teatro de máscaras mundial, situada na Alemanha, onde a atriz e mascareira da Cia. Troada Elisa Rossin realizou estágio no primeiro semestre de 2008 nas áreas de confecção de máscaras e assistência de direção durante a montagem do espetáculo Hotel Paradiso.
 Este aprimoramento da máscara realizado pela Cia. Troada e direcionado por Elisa Rossin, só é possível após um longo período de estudo e confecção de máscaras que teve início em 1999 incluindo sua participação no curso XXIV Edizione del Seminario-Laboratorio Internazionale “ARTE DELLA MASCHERA”, no Centro Maschere e Strutture Gestuali, com Donato Sartore.

O espetáculo A Porta

A história de uma noite de insônia de Gregor perpassada por pesadelos confirma que o que salta neste espetáculo é o contraste. Assim, é da mesma maneira que A Porta apresenta a comicidade da máscara em visita ao universo kafkiano. Neste encontro nasce um tipo de humor que tira sua força do sem sentido, do “nonsense”, da brincadeira com o absurdo. Ao mesmo tempo, o universo de Kafka gera imagens que conduzem este humor para uma atmosfera mais onírica. Como resultado o riso e a força das imagens unem-se conferindo a tônica do espetáculo.

A atmosfera noturna da cena é construída com o palco recortado por poucas zonas iluminadas. O jogo de luz e sombra apresenta de início um quarto em que se passam as noites de insônia. Porém, o mesmo quarto torna-se o lugar onde se desenvolverá a narrativa dos pesadelos de Gregor. A iluminação recortada vai aos poucos oferecendo o contorno do espaço de cena e o que vemos são pedaços da consciência de Gregor que irão se fundir, se sobrepor e se contrapor.

Na criação desta atmosfera a música composta diretamente para o espetáculo tem função fundamental. Por se tratar de um espetáculo de máscaras inteiras, portanto sem fala, exploramos fortemente a sua sonoridade. Assim, a trilha acompanha o desenvolvimento da ação, suprindo as intenções e atmosferas que a ausência de falas poderia causar. Trata-se de uma composição minimalista que por vezes ganha um contorno melódico instaurando o clima da cena. Além disto, variados efeitos sonoros são utilizados para criar um ambiente fortemente sensorial e expressar o caráter fantástico presente no espetáculo.

Mas grande parte desta forte composição imagética do espetáculo fica a cargo do figurino. Este compõe, junto com a máscara, a caracterização fantástica das personagens. Trabalhado com enchimentos, sobreposição de materiais e tons mais escuros, segue a linha principal da encenação ao dialogar com o universo dos quadrinhos. Vale destacar que os figurinos de A Porta foram criados por Eliseu Weide, figurinista que trabalha com importantes produções européias de ópera e teatro incluindo Berliner Ensemble.

Com todos estes elementos, fica claro que a orientação do espetáculo A Porta foi para a construção de uma obra singular na atmosfera criada com as imagens kafkianas, sem deixar de ser ao mesmo tempo comunicativo e divertido no jogo estabelecido com as máscaras.

Cia Troada

A Cia. Troada é composta por artistas formados pela USP e Unicamp, que pesquisam a linguagem da máscara desde 1999. Durante os anos de 1999 a 2002 participaram de projetos coordenados por Tiche Vianna e Esio Magalhães, nos quais o intuito era o estudo e aprimoramento da Commedia dell’Arte. Deste período datam a montagem dos espetáculos: O Homem da Capa Preta, Baú do Milão e Chamego Danado, com direção de Esio Magalhães.

O espetáculo seguinte, Birosca-Bral, foi concebido com parceria de atores da Cia. Troada e da Cia Vatecatarse e dirigido por Tiche Vianna. Com produção da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo para integrar o projeto Formação de Público durante um ano e meio, o espetáculo também participou de diversos festivais de teatro recebendo importantes premiações.

Em 2002 uma parte destes artistas que já trabalhavam juntos consolidou a Cia. Troada com o intuito de pesquisar uma concepção própria da linguagem da máscara: não vinculada a Commedia dell’Arte e com a intenção de expressar um universo mais fantástico e grotesco.

A produção do primeiro espetáculo Espera (inspirado em Esperando Godot de Samuel Becket) em 2003 e o seguinte A Metamorfose (adaptação da obra de Franz Kafka com co-produção do Centro Popular de Cultura da Umes) em 2004, ambos na linguagem da máscara, consolidaram o projeto de pesquisa do grupo.

Em 2007 a Cia. Troada recebeu o apoio do Governo do Estado de São Paulo através do PROAC, para a produção do espetáculo de máscara À Sombra das Nuvens. Este espetáculo participou de festivais de teatro recebendo diversas premiações, dentre elas melhor atriz, ator, ator coadjuvante, figurino e música.

As pesquisas que o grupo realiza com a máscara resultam em dissertações de mestrado e tese de doutorado produzidas por seus integrantes na USP e Unicamp e com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo).

A qualidade artística dos espetáculos desenvolvidos também possibilitou a abertura da importante cia teatral alemã de trabalho com máscara, Familie Flöz, para o estágio, no primeiro semestre de 2008, de uma integrante da Cia. Troada na realização do novo espetáculo. Isto permitiu ao grupo conhecer um novo modelo de trabalho com máscara, ainda desconhecido no Brasil, e que se distancia do modelo predominante da Commedia dell’Arte.

Atualmente, a Cia. Troada realiza o espetáculo A Porta, produzido com o apoio do Prêmio Myriam Muniz de Teatro.

Visite: www.ciatroada.com.br